Minha cabeça zomba
Tudo é confuso
A única constante é você
se eu queria te mandar áudio nesse estado?
Queria.
Não irei fazer.
Você também não o faria.
Recuplrocidadade é tudo
E nessa batalha ninguém vence
Eu certamente não te amo
Mas certamente não sou indiferente
Enquanto meu estômago se reviravolta
Eu só penso em te beijar
Sentir todo o calor junto a mim
com ele me casar
Possível não é
Nem para mim e acredito para ti
Não sei se você se interessa
mais do que em mim
Você sabe ou eu espero, entende a sombra que se instala
entre quem você é e mostra
não por causa de reservas e excuses qualquer
é autlpreservação nua e crua
sim, te quero
não, não vou correr atrás de você
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
Bêbada
sábado, 5 de novembro de 2016
Presa
Texto de agosto 2010
A observo fixamente. Bela, princesa. Nunca chegará a rainha.. Mesmo assim me delicia
com seu corpo colado ao meu. Beijo-a toda, em especial ao seu pescoço. Aplaco seus
medos, guiando-a. Coloco suas delicadas mãos em meu corpo. Tão delicado quanto o dela e ao mesmo tempo tão menos virginal. Nossas roupas finas de dormir tão logo deixadas de lado. No chão, embaranhadas, elas parecem estar no lugar certo.
Não quero esperar mais, junto meu corpo ao dela. Nossos seios duros, um contra o
outro. Uma sensação de prazer se espalha por mim,ela se encontra toda arrepiada.
Beijo-a enquanto desço minha mão pronta a explorar sua intimidade. Calmamente descubro o que lhe dá mais prazer, para depois me atentar a isto. Sei que não posso me manter apenas em seus pontos climax, sei como lhe torturar e aí sim lhe dar mais prazer.
Ouso, levo minha boca até aquele antro de prazer tão neglicenciado por ela. A excito,
quero fazê-la gozar em minha boca. E com um gemido segurado e um grande arranhão em
minhas costas descubro que alcancei meu objetivo.
A penetro com meu dedo neste momento, sem esperar permissão. Sinto sua virgindade
latente, sei que ela é minha. A tomo com uma pressa que não me é devida. Rapidamente
ela me penetra da mesma maneira e quando estamos as duas tão perto do gozo, roço nela.
Uma intimidade só conhecida entre mulheres, meu ponto mais sensível com o seu. Juntas nos excitamos para um orgasmo final, maior e mais longo...Agora só resta a mim desabar sobre seu corpo, cansada, enquanto observo sua face serena,totalmente livre de
preocupações.
Ela gira em meus braços, embevecida. Meu cheiro é o seu néctar. A seguro, forte,confiante. Ela é minha, minha presa do dia. Algo não mais do que por uma noite para mim, mas uma lembrança fixa na mente dela. Gosto da idéia de marca-la. Se pudesse a marcaria fisicamente e definitivamente mas ela provavelmente não vai gostar.
A observo fixamente. Bela, princesa. Nunca chegará a rainha.. Mesmo assim me delicia
com seu corpo colado ao meu. Beijo-a toda, em especial ao seu pescoço. Aplaco seus
medos, guiando-a. Coloco suas delicadas mãos em meu corpo. Tão delicado quanto o dela e ao mesmo tempo tão menos virginal. Nossas roupas finas de dormir tão logo deixadas de lado. No chão, embaranhadas, elas parecem estar no lugar certo.
Amo-a. Neste momento. Pois mesmo em sua meninice se entrega ao novo, relaxada em meu abraço. Me sinto mãe, me sinto dona dessa pequena. Exploro seu corpo nu com cuidado.
Primeiramente com as mãos, depois deixo a minha lingua continuar. Seu gosto tão doce e
ainda assim não enjoativo. Beijo seus pés. Não quero ver sombra de medo em seus olhos
tão límpidos.
ainda assim não enjoativo. Beijo seus pés. Não quero ver sombra de medo em seus olhos
tão límpidos.
Brinco com seus seios fazendo-os desabrochar. Um carinho suave até que ouça sua voz sussurrar: Lamba-os, por favor... Claro querida. Seu desejo, meu desejo.Ela pede para
brincar com meu corpo. Deixo, é claro. Guio sua mão novamente, mas logo ela não
precisa mais de minha ajuda. Minha putinha nata, uma excelente descoberta.
brincar com meu corpo. Deixo, é claro. Guio sua mão novamente, mas logo ela não
precisa mais de minha ajuda. Minha putinha nata, uma excelente descoberta.
Não quero esperar mais, junto meu corpo ao dela. Nossos seios duros, um contra o
outro. Uma sensação de prazer se espalha por mim,ela se encontra toda arrepiada.
Beijo-a enquanto desço minha mão pronta a explorar sua intimidade. Calmamente descubro o que lhe dá mais prazer, para depois me atentar a isto. Sei que não posso me manter apenas em seus pontos climax, sei como lhe torturar e aí sim lhe dar mais prazer.
Ouso, levo minha boca até aquele antro de prazer tão neglicenciado por ela. A excito,
quero fazê-la gozar em minha boca. E com um gemido segurado e um grande arranhão em
minhas costas descubro que alcancei meu objetivo.
A penetro com meu dedo neste momento, sem esperar permissão. Sinto sua virgindade
latente, sei que ela é minha. A tomo com uma pressa que não me é devida. Rapidamente
ela me penetra da mesma maneira e quando estamos as duas tão perto do gozo, roço nela.
Uma intimidade só conhecida entre mulheres, meu ponto mais sensível com o seu. Juntas nos excitamos para um orgasmo final, maior e mais longo...Agora só resta a mim desabar sobre seu corpo, cansada, enquanto observo sua face serena,totalmente livre de
preocupações.
O oitavo dia de neve
Texto de fevereiro de 2011
Mais um dos nossos feneceu essa manhã. Não havia nada que pudessemos fazer além de nossas preces. E tenho a impressão que elas também não são de grande serventia. Sabíamos de sua morte, mesmo assim o coração parece pesado e os ânimos abalados. Qualquer soldado é uma vida, uma pessoa. Por mais que não fosse um amigo íntimo você sente. É uma derrota.
Ele me chamou atenção, admito. Já há uns dez dias aguenta sua ferida sem reclamar. Apenas agradeceu por ter tido a graça de fazer parte desse regimento. Sua ferida não era tão profunda. Mas, o adversário fora ardil.
Contaminara a própria espada. Infeccionado o ferimento não consegue cicatrizar.Isso por si só já seria um problema difícil de contornar nas condiççoes de campanha. Somando-se ao inverno rigoroso, sabiamos que a chance de que ele e todos os outros feridos se recuperassem bem era mínima.
Não os abandonaremos. Raramento o fazemos. Vivos aind apodem ser úteis e mortos, são nossos mortos e devemos encaminhar suas almas aos céus.
Aqueles que perecem em batalha, não podem receber honras. E nem por isso suas almas se perdem. Não vejo tanto sentido em cerimônias gloriosas para aqueles que já não estão entre nós... Contudo, sigo as ordens de meu capitão... Enterro ou cremo os corpos e dou a eles uma última benção. Mesmo tendo certeza que o tempo que perdemos revirando corpos após um dia sanguinário poderia ser usado para restabelecer as forças dos que voltarão a lutar.
Dessa vez não reclamo. Já faz oito dias que estamos sobre o abrigo dessas cavernas. Há oito dias nao para de nevar. Há oito dias nosso trabalho se resume a impedir que a neve adentre nosso esconderijo e nos sepulte aqui dentro. Tudo o que devemos fazer é criar calor, cuidar dos nossos doentes, manter a saúde e sobreviver. Há oito dias não vemos uma batalha.
A ração é escassa, mas nos aguentara por pelo menos mais sete dias. Se todos sobrevivermos... Não acho que isso acontecera. Presumo que poderemos sobreviver por dez, onze dias. Mas, não tenho necessidade nenhuma de provar que meus cálculos estão corretos. Prefiro sair daqui antes se possível.
Observei o ferido que até agora não reclamara. Ele tem sido minha melhor distração por aqui. Esperava ouvir em seus momentos finais uma queixa, um pedido, um desejo de vingança... Qaundo o fedor pútrido começou a sair da ferida aberta, me ofereci para cuidar dele.
Não por pena ou misericórdia, antes o fosse. Simplesmente queria ter certeza que não perderia sua súplica. Todos somos iguais ao morrer. Todos fedemos. Não que isso não aconteça com a maioria ainda em vida.
Durante dois dias acompanhei sua resistência. Sabia que não era daqueles que estavam conosco por obrigação. Ele queria lutar, Queria continuar a servir ao capitão. Mas, não reclamou.
Alias, em pouco mais de quarenta e oito horas a única coisa que disse é que eu deveria arranjar uma maneira de ser mais útil ao regimento do que cuidar dos já condenados. Falou isso sem raiva ou rancor. Realmente queria o melhor para nós como um todo.
Talvez se fosse em outro alistamento a história não fosse assim. A verdade é que é um orgulho poder vestir o uniforme negro com a pequena estampa de dragão rubro. Caleb era um excelente capitão. Sabia o nome de cada um dos membros de suas tropas e notava problemas individuais que os melhores amigos ignorariam. Não havia contendas nesse batalhão.
Apesar de seu jeito tolo e companheiro, qualquer um que já o houvesse visto em uma batalha sabia o quão sanguinário ele era. Seu prazer em guerrar era enorme e nós já eramos conhecidos como o braço direito do rei. Em pouco tempo esperavamos que alguns de nós fossemos escolhidos para integrar sua guarda pessoal e guerreavamos para atingir esse posto.
Não sei se o soldado a minha frente desejava essa honraria. Não sei se ele tinha essa ambição. Sei que estava morrendo como tantos outros. A guerra é injusta. Sempre foi. Matamos e estamos dispostos a morrer por um ideal, contudo não podemos e nem conseguimos esquecer que nos dois lados há homens bons.
Não vivemos um conto. Nossos inimigos não são monstros e sim cidadões comuns. Somente aqueles bitolados são capazes de ver humanos comuns com espadas nas mãos como animais. E com esses eu prefiro evitar travar um combate...
Ele arqueia de dor. Deveriam dar algo que minimize a sensação da morte. Que o faça esquecer essa dor. Nem que seja uma coronhada na cabeça, que pelo menos é uma dor aguda seguida de silêncio eterno... Fiquei ao seu lado a madrugada inteira, o observando. Tentando em algumas horas compreender anos e dor e angústia...
Não consegui. E ele se foi enquanto eu cochilava... Foi sem eu saber o porque dele não reclamar. Foi me deixando uma dúvida eterna. Ele poderia ter sanado. Poderia ter me ensinado a não reclamar na morte como ele e ter o mais perto possível de uma morte honrada. Entretanto, ele preferiu ser um egoísta e guardar sua calma para ele...
É o nono dia nas cavernas. E continua a nevar.
Contaminara a própria espada. Infeccionado o ferimento não consegue cicatrizar.Isso por si só já seria um problema difícil de contornar nas condiççoes de campanha. Somando-se ao inverno rigoroso, sabiamos que a chance de que ele e todos os outros feridos se recuperassem bem era mínima.
Não os abandonaremos. Raramento o fazemos. Vivos aind apodem ser úteis e mortos, são nossos mortos e devemos encaminhar suas almas aos céus.
Aqueles que perecem em batalha, não podem receber honras. E nem por isso suas almas se perdem. Não vejo tanto sentido em cerimônias gloriosas para aqueles que já não estão entre nós... Contudo, sigo as ordens de meu capitão... Enterro ou cremo os corpos e dou a eles uma última benção. Mesmo tendo certeza que o tempo que perdemos revirando corpos após um dia sanguinário poderia ser usado para restabelecer as forças dos que voltarão a lutar.
Dessa vez não reclamo. Já faz oito dias que estamos sobre o abrigo dessas cavernas. Há oito dias nao para de nevar. Há oito dias nosso trabalho se resume a impedir que a neve adentre nosso esconderijo e nos sepulte aqui dentro. Tudo o que devemos fazer é criar calor, cuidar dos nossos doentes, manter a saúde e sobreviver. Há oito dias não vemos uma batalha.
A ração é escassa, mas nos aguentara por pelo menos mais sete dias. Se todos sobrevivermos... Não acho que isso acontecera. Presumo que poderemos sobreviver por dez, onze dias. Mas, não tenho necessidade nenhuma de provar que meus cálculos estão corretos. Prefiro sair daqui antes se possível.
Observei o ferido que até agora não reclamara. Ele tem sido minha melhor distração por aqui. Esperava ouvir em seus momentos finais uma queixa, um pedido, um desejo de vingança... Qaundo o fedor pútrido começou a sair da ferida aberta, me ofereci para cuidar dele.
Não por pena ou misericórdia, antes o fosse. Simplesmente queria ter certeza que não perderia sua súplica. Todos somos iguais ao morrer. Todos fedemos. Não que isso não aconteça com a maioria ainda em vida.
Durante dois dias acompanhei sua resistência. Sabia que não era daqueles que estavam conosco por obrigação. Ele queria lutar, Queria continuar a servir ao capitão. Mas, não reclamou.
Alias, em pouco mais de quarenta e oito horas a única coisa que disse é que eu deveria arranjar uma maneira de ser mais útil ao regimento do que cuidar dos já condenados. Falou isso sem raiva ou rancor. Realmente queria o melhor para nós como um todo.
Talvez se fosse em outro alistamento a história não fosse assim. A verdade é que é um orgulho poder vestir o uniforme negro com a pequena estampa de dragão rubro. Caleb era um excelente capitão. Sabia o nome de cada um dos membros de suas tropas e notava problemas individuais que os melhores amigos ignorariam. Não havia contendas nesse batalhão.
Apesar de seu jeito tolo e companheiro, qualquer um que já o houvesse visto em uma batalha sabia o quão sanguinário ele era. Seu prazer em guerrar era enorme e nós já eramos conhecidos como o braço direito do rei. Em pouco tempo esperavamos que alguns de nós fossemos escolhidos para integrar sua guarda pessoal e guerreavamos para atingir esse posto.
Não sei se o soldado a minha frente desejava essa honraria. Não sei se ele tinha essa ambição. Sei que estava morrendo como tantos outros. A guerra é injusta. Sempre foi. Matamos e estamos dispostos a morrer por um ideal, contudo não podemos e nem conseguimos esquecer que nos dois lados há homens bons.
Não vivemos um conto. Nossos inimigos não são monstros e sim cidadões comuns. Somente aqueles bitolados são capazes de ver humanos comuns com espadas nas mãos como animais. E com esses eu prefiro evitar travar um combate...
Ele arqueia de dor. Deveriam dar algo que minimize a sensação da morte. Que o faça esquecer essa dor. Nem que seja uma coronhada na cabeça, que pelo menos é uma dor aguda seguida de silêncio eterno... Fiquei ao seu lado a madrugada inteira, o observando. Tentando em algumas horas compreender anos e dor e angústia...
Não consegui. E ele se foi enquanto eu cochilava... Foi sem eu saber o porque dele não reclamar. Foi me deixando uma dúvida eterna. Ele poderia ter sanado. Poderia ter me ensinado a não reclamar na morte como ele e ter o mais perto possível de uma morte honrada. Entretanto, ele preferiu ser um egoísta e guardar sua calma para ele...
É o nono dia nas cavernas. E continua a nevar.
Ensaio sobre a cegueira
Texto de fevereiro 2010
Meu ritmo de leitura de férias anda fraco este ano, apesar de poder dizer que os únicos dois livros que eu acabei de ler até agora foram certamente livros úteis. Memórias de minhas putas tristes e Ensaio sobre a cegueira. Mas, este último merece mais destaque. É difícil demais dar uma opinião não spoiler sobre o livro então aviso desde já que o texto abaixo contêm revelações sobre o enredo. Mas, antes quero resumir um pouco do que se trata a história. Um resumo grande que obviamente contêm spoilers, mas tanto spoiler quanto a contra-capa ou o resumo do filme contêm. Recomendo para quem pretende ler o livro que não leia nem o resumo, porque sinceramente eu li sem saber do que se trata e foi muito surpreendente.
Ensaio sobre a cegueira trata do grande mal branco. Uma onda de cegueira que faz com que a vista das pessoas seja encoberta por um "pano" branco. O que surge como uma doença misteriosa que se apresenta repentinamente enquanto um homem está dirigindo se espalha pelas pessoas que tiveram contato com ele e por aí se espalha. E logo estas pessoas são levadas para um antigo manicômio a fim de serem postas em quarentena pelo governo e coordenados pelo exército. Sendo que o medo da contaminação é grande o suficiente de forma que eles não receberão nenhuma ajuda, pouca comida, algum material de limpeza inicialmente, nenhum medicamento, ninguém com olhos para os guiar... Nenhuma ajuda exterior. Mesmo que alguém morra, eles, os novos cegos, deverão enterrá-lo, queimar o próprio lixo... Sem visão e confinados a um local que não conhecem a vida dos primeiros cegos é complicada, mas quando o mal branco se torna um problema global, a loucura parece prestes a se espalhar. E entre os contaminados há um médico oftamologista e com ele, sua esposa. A única pessoa que permanece com a visão dentro do manicômio, como se fosse imune a cegueira que se espalha.
Opinião Spoiler do livro
De meus anos de estudante de humanas aos meus anos de aspirante a jornalista, aprendi inúmeras técnicas de resenha. Aprendi também que prefiro evitar usá-las. Ensaio sobre a cegueira é um livro denso que me pegou de surpresa. A simples curiosidade perante o título e a fama de José Saramago impulsionaram minha leitura em seus primórdios. Todavia, um livro contêm uma história e este eu resolvi encarar sem conhecimento prévio. E de início foi bem interessante, o primeiro cego, do nada, todo o terror do mal branco e logo o aprisionamento e o golpe de mestre da mulher do médico. É fato de que ela narra toda a história e é o eu-lírico que reproduz o que ocorre no "manicômio". A sujeira, os dejetos, toda a porquidão... Não é um conto de fadas, é como de fato a sociedade se comportaria em situações destas. A contaminação crescente, de início nos acostumamos a primeira camarata e aos seus seis personagens de destaque. Todos com seus erros, aflições, pecados, vergonhas ... o medo dos soldados e depois o óbvio surgimento de uma camarata que tenta sobrepujar as outras. Claro que em minha opinião boa parte dos sofrimentos causados pela terceira camarata do lado direito poderiam vir a ser evitados se a mulher do médico tivesse tomado uma decisão antes, mas provavelmente ela não teria como imaginar a situação que os mesmos iriam criar e a presença de uma arma de fogo realmente é capaz de silenciar até aqueles que não a vêem. Da simples entrega dos pertencentes de valor até a óbvia humilhação das mulheres, que certamente é um dos pontos que mais me irritou com a descrição dos tipos que ali viviam e não falo dos malfeitores. O fato é que no momento que os homens deixaram bem claro que as mulheres deveriam se sacrificar, eles também deixam claro que eles não passariam por esta humilhação. Humilhação esta que deveras me chateia, afinal eu possuo um tanto daquela chama feminista que não tolera o jeito como as pessoas - homens e mulheres - pensam do sexo feminino e como parece direito que as mulheres se submetam. Admito que o fato do médico ter se deitado com a mulher de óculos escuros enquanto sua esposa via, me tirou um pouco do sério. Principalmente considerando que o livro não mostra em momento algum que ele tomou a mulher para si, por vergonha na frente de outros. Todavia, não teve problema em se deitar com uma "estranha" quando todos poderiam ouvir. E quando a mulher do médico, munida de força que só a raiva, a vingança e a necessidade de providência podem criar. Refiro-me a simplesmente acabar com a garganta de alguém com uma tesoura e matar outros dois. |Obvio que o fato dela não ter pego o revolver me revoltou bastante, foi idiota, mas as pessoas fazem coisas idiotas. Prefiro não mencionar o incêndio, aquilo foi de sobremaneira idiota pelas proporções catastróficas causadas. Claro, que se não fosse por isto, não haveriam se atrevido a sair. E ao sair do manicômio, o mundo que encontram é genialmente descrito. Todo o horror e a naúsea, o que a humanidade faz quando as formas de organizações antigas não podem mais serem postas. A superação da mulher do médico em sustentar e prover o melhor possível os outros seis, em destaque o velho da venda. Alias, acho interessantíssimo o rádio dele figurar com sua aparição. Mas, a descrição das ruas, dos locais, os cegos vagando, os dejetos, a degeneração, a morte, os animais soltos... E por mais que o livro aparentemente nos presenteie com um final feliz, talvez o melhor final para fins práticos da história fosse que a cegueira permanecesse, que o véu branco continuasse sobre eles. Decerto que a sujeira e putridão existente nas cidades e em breve nos campos, transformaria nosso planeta em um grande caminhão de lixo. Só que como se reorganizar depois de tudo o que passaram e fizeram? Depois de tudo que consideravam antes sujo e indigno? Como se organizar novamente de maneira a limpar a cidade? E os cegos, realmente cegos? Como estes ficam? Será que todos irão querer voltar a suas casas regulares? Será que a inflação voltará a ser controlada e as pessoas que perderam todo seu dinheiro... O que fazer? Não tenho a resposta, certamente será preciso mais do que um par de anos para que tudo retorne a regulariedade e provavelmente o mal branco não alterará em nada as pessoas, porque depois de um tempo, todos esquecem e voltam as suas vidas regulares. Sei também que após a felicidade e extase de voltar a enxergar, todos se voltarão para o estado em que se encontram, como seu mundo se encontram, onde há pessoas mortas em todas as ruas... Um livro bom em seus detalhes, em não representar uma sociedade útopica que teria se mantido organizada, em representar o pior do ser humano. E o desfecho, fosse "bom" ou "ruim", eles vontando a enxergar ou não, permanece como uma incógnita o futuro destes ex-cegos.
Citações
"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa somos nós"
"Quando a aflição aperta, quando o corpo se nos desmanda de dor e angústia, então é que se vê o animalzinho que somos."
"O mundo caridoso e pitoresco dos ceguinhos acabou, agora é o reino duro, cruel e implacável dos cegos."
"Que tendo começado por mandar as mulheres e comido à custa delas como pequenos chulos de bairro, é agora a altura de mandar os homens, se ainda os temos aqui, Explica-te, mas primeiro diz-nos donde és, Da primeira camarata do lado direito, Fala, É muito simples, vamos buscar a comida pelas ossas próprias mãos, Eles têm armas, Que se saiba só tem uma pistola, e os cartuchos não vão durar-lhe para sempre, Com os que têm morrerão alguns de nós, Outros já morreram por menos, Não estou disposto a perder a vida para os que mais fiquem cá a gozar, Também estarás disposto a não comer se alguém vier a perder a vida para que tu comas,perguntou sarcástico o velho da venda preta e o outro não respondeu."
"Não irão apenas os homens, irão também as mulheres, voltaremos ao lugar onde nos humilharam para que da humilhação nada fique, para que possamos libertar-nos dela da mesma maneira que cuspimos o que nos lançaram a boca." - Mulher do médico
Meu ritmo de leitura de férias anda fraco este ano, apesar de poder dizer que os únicos dois livros que eu acabei de ler até agora foram certamente livros úteis. Memórias de minhas putas tristes e Ensaio sobre a cegueira. Mas, este último merece mais destaque. É difícil demais dar uma opinião não spoiler sobre o livro então aviso desde já que o texto abaixo contêm revelações sobre o enredo. Mas, antes quero resumir um pouco do que se trata a história. Um resumo grande que obviamente contêm spoilers, mas tanto spoiler quanto a contra-capa ou o resumo do filme contêm. Recomendo para quem pretende ler o livro que não leia nem o resumo, porque sinceramente eu li sem saber do que se trata e foi muito surpreendente.
Ensaio sobre a cegueira trata do grande mal branco. Uma onda de cegueira que faz com que a vista das pessoas seja encoberta por um "pano" branco. O que surge como uma doença misteriosa que se apresenta repentinamente enquanto um homem está dirigindo se espalha pelas pessoas que tiveram contato com ele e por aí se espalha. E logo estas pessoas são levadas para um antigo manicômio a fim de serem postas em quarentena pelo governo e coordenados pelo exército. Sendo que o medo da contaminação é grande o suficiente de forma que eles não receberão nenhuma ajuda, pouca comida, algum material de limpeza inicialmente, nenhum medicamento, ninguém com olhos para os guiar... Nenhuma ajuda exterior. Mesmo que alguém morra, eles, os novos cegos, deverão enterrá-lo, queimar o próprio lixo... Sem visão e confinados a um local que não conhecem a vida dos primeiros cegos é complicada, mas quando o mal branco se torna um problema global, a loucura parece prestes a se espalhar. E entre os contaminados há um médico oftamologista e com ele, sua esposa. A única pessoa que permanece com a visão dentro do manicômio, como se fosse imune a cegueira que se espalha.
Opinião Spoiler do livro
De meus anos de estudante de humanas aos meus anos de aspirante a jornalista, aprendi inúmeras técnicas de resenha. Aprendi também que prefiro evitar usá-las. Ensaio sobre a cegueira é um livro denso que me pegou de surpresa. A simples curiosidade perante o título e a fama de José Saramago impulsionaram minha leitura em seus primórdios. Todavia, um livro contêm uma história e este eu resolvi encarar sem conhecimento prévio. E de início foi bem interessante, o primeiro cego, do nada, todo o terror do mal branco e logo o aprisionamento e o golpe de mestre da mulher do médico. É fato de que ela narra toda a história e é o eu-lírico que reproduz o que ocorre no "manicômio". A sujeira, os dejetos, toda a porquidão... Não é um conto de fadas, é como de fato a sociedade se comportaria em situações destas. A contaminação crescente, de início nos acostumamos a primeira camarata e aos seus seis personagens de destaque. Todos com seus erros, aflições, pecados, vergonhas ... o medo dos soldados e depois o óbvio surgimento de uma camarata que tenta sobrepujar as outras. Claro que em minha opinião boa parte dos sofrimentos causados pela terceira camarata do lado direito poderiam vir a ser evitados se a mulher do médico tivesse tomado uma decisão antes, mas provavelmente ela não teria como imaginar a situação que os mesmos iriam criar e a presença de uma arma de fogo realmente é capaz de silenciar até aqueles que não a vêem. Da simples entrega dos pertencentes de valor até a óbvia humilhação das mulheres, que certamente é um dos pontos que mais me irritou com a descrição dos tipos que ali viviam e não falo dos malfeitores. O fato é que no momento que os homens deixaram bem claro que as mulheres deveriam se sacrificar, eles também deixam claro que eles não passariam por esta humilhação. Humilhação esta que deveras me chateia, afinal eu possuo um tanto daquela chama feminista que não tolera o jeito como as pessoas - homens e mulheres - pensam do sexo feminino e como parece direito que as mulheres se submetam. Admito que o fato do médico ter se deitado com a mulher de óculos escuros enquanto sua esposa via, me tirou um pouco do sério. Principalmente considerando que o livro não mostra em momento algum que ele tomou a mulher para si, por vergonha na frente de outros. Todavia, não teve problema em se deitar com uma "estranha" quando todos poderiam ouvir. E quando a mulher do médico, munida de força que só a raiva, a vingança e a necessidade de providência podem criar. Refiro-me a simplesmente acabar com a garganta de alguém com uma tesoura e matar outros dois. |Obvio que o fato dela não ter pego o revolver me revoltou bastante, foi idiota, mas as pessoas fazem coisas idiotas. Prefiro não mencionar o incêndio, aquilo foi de sobremaneira idiota pelas proporções catastróficas causadas. Claro, que se não fosse por isto, não haveriam se atrevido a sair. E ao sair do manicômio, o mundo que encontram é genialmente descrito. Todo o horror e a naúsea, o que a humanidade faz quando as formas de organizações antigas não podem mais serem postas. A superação da mulher do médico em sustentar e prover o melhor possível os outros seis, em destaque o velho da venda. Alias, acho interessantíssimo o rádio dele figurar com sua aparição. Mas, a descrição das ruas, dos locais, os cegos vagando, os dejetos, a degeneração, a morte, os animais soltos... E por mais que o livro aparentemente nos presenteie com um final feliz, talvez o melhor final para fins práticos da história fosse que a cegueira permanecesse, que o véu branco continuasse sobre eles. Decerto que a sujeira e putridão existente nas cidades e em breve nos campos, transformaria nosso planeta em um grande caminhão de lixo. Só que como se reorganizar depois de tudo o que passaram e fizeram? Depois de tudo que consideravam antes sujo e indigno? Como se organizar novamente de maneira a limpar a cidade? E os cegos, realmente cegos? Como estes ficam? Será que todos irão querer voltar a suas casas regulares? Será que a inflação voltará a ser controlada e as pessoas que perderam todo seu dinheiro... O que fazer? Não tenho a resposta, certamente será preciso mais do que um par de anos para que tudo retorne a regulariedade e provavelmente o mal branco não alterará em nada as pessoas, porque depois de um tempo, todos esquecem e voltam as suas vidas regulares. Sei também que após a felicidade e extase de voltar a enxergar, todos se voltarão para o estado em que se encontram, como seu mundo se encontram, onde há pessoas mortas em todas as ruas... Um livro bom em seus detalhes, em não representar uma sociedade útopica que teria se mantido organizada, em representar o pior do ser humano. E o desfecho, fosse "bom" ou "ruim", eles vontando a enxergar ou não, permanece como uma incógnita o futuro destes ex-cegos.
Citações
"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa somos nós"
"Quando a aflição aperta, quando o corpo se nos desmanda de dor e angústia, então é que se vê o animalzinho que somos."
"O mundo caridoso e pitoresco dos ceguinhos acabou, agora é o reino duro, cruel e implacável dos cegos."
"Que tendo começado por mandar as mulheres e comido à custa delas como pequenos chulos de bairro, é agora a altura de mandar os homens, se ainda os temos aqui, Explica-te, mas primeiro diz-nos donde és, Da primeira camarata do lado direito, Fala, É muito simples, vamos buscar a comida pelas ossas próprias mãos, Eles têm armas, Que se saiba só tem uma pistola, e os cartuchos não vão durar-lhe para sempre, Com os que têm morrerão alguns de nós, Outros já morreram por menos, Não estou disposto a perder a vida para os que mais fiquem cá a gozar, Também estarás disposto a não comer se alguém vier a perder a vida para que tu comas,perguntou sarcástico o velho da venda preta e o outro não respondeu."
"Não irão apenas os homens, irão também as mulheres, voltaremos ao lugar onde nos humilharam para que da humilhação nada fique, para que possamos libertar-nos dela da mesma maneira que cuspimos o que nos lançaram a boca." - Mulher do médico
2016
Texto de outubro de 2009 sobre Rio 2016
Recentemente cada dia meu parece durar 48 horas por tanta coisa que acontece. Ao mesmo tempo que parece durar apenas 2 horas por tanta coisa que não consegui fazer. Já que resolvi deixar de lado meu sono hoje resolvi parar para escrever um pouco sobre O acontecimento da semana passada que não foi tanto O assim.
Obviamente estou falando da escolha do Rio, Rio 2016. Eu tenho algumas contradições sobre o assunto, inevitavelmente. Primeiramente por minha tendência patriótica e um pouco nacionalista. Porque de certa forma eu me sinto orgulhosa de ver o Rio atingindo tal marca e chamando atenção internacionalmente por algo mais do que Copacabana e mulher pelada.
Segundo, é a minha cidade sediando os primeiros jogos olímpicos na América Latina. Copa do Mundo? A Copa é a cara do Brasil, nada mais esperado ser aqui. Era óbvio que um dia ela ia voltar para cá. Não esperava as Olimpíadas. Não acho que temos ou teremos condições de lidar com a infra-estrutura necessária. Não acho que vai melhorar alguma coisa para os cariocas. Nem um pouco.
2016 vai ser um caos urbano. Alias, até 2016 nós iremos entrar em um bando de obras e iremos ver dinheiro público ser gasto e desviado das mais diversas formas. É como dar um alvará para os corruptos. Diversas obras para desviar dinheiro. Muito legal. Enquanto isto a população irá continuar carente. Iremos sediar não só um, mas dois mega-eventos. E iremos mostrar a face mais bonita do Rio. De forma que os "gringos" vão olhar e achar que tudo aqui é perfeito, assim como tantos fazem ao ver as "Ouropa" de longe. Iremos enviar as milícias para algumas favelas. Em outras o governo irá pagar para que não haja revolta. É assim que funciona.
Ao mesmo tempo sei obviamente que estas obras, pelo menos parte delas, realmente serão feitas. Não há outra escolha. Precisamos no mínimo de mais 7 lugares para competições e lugares fixos. Estas obras gerarão emprego. Bem ou mal, a Copa do Mundo mais os Jogos Olímpicos geraram empregos mesmo que estes sejam provisórios e de baixa renda.
Assim como todos os projetos sociais envolvendo esporte serão valorizados. Não acho que iremos fazer como a China e criar em 7 anos adolescentes mega-esportistas, mas certamente os melhores de cada grupo passarão por um treinamento árduo a partir de agora. Como cidade-sede estamos inscritos em todas as competições ou ao menos 70%. Vamos criar atletas em áreas que não temos histórico nenhum. É a chance do Brasil ganhar mais medalhas. Quem sabe a tão esperada medalha de ouro no futebol? A falta dela já está se tornando irônica demais.
Nem lembro mais os outros pontos que queria discursar e sinceramente. Vou voltar para os meus livros aqui já que estou condenada a ficar em casa durante um tempo. See ya
Obviamente estou falando da escolha do Rio, Rio 2016. Eu tenho algumas contradições sobre o assunto, inevitavelmente. Primeiramente por minha tendência patriótica e um pouco nacionalista. Porque de certa forma eu me sinto orgulhosa de ver o Rio atingindo tal marca e chamando atenção internacionalmente por algo mais do que Copacabana e mulher pelada.
Segundo, é a minha cidade sediando os primeiros jogos olímpicos na América Latina. Copa do Mundo? A Copa é a cara do Brasil, nada mais esperado ser aqui. Era óbvio que um dia ela ia voltar para cá. Não esperava as Olimpíadas. Não acho que temos ou teremos condições de lidar com a infra-estrutura necessária. Não acho que vai melhorar alguma coisa para os cariocas. Nem um pouco.
2016 vai ser um caos urbano. Alias, até 2016 nós iremos entrar em um bando de obras e iremos ver dinheiro público ser gasto e desviado das mais diversas formas. É como dar um alvará para os corruptos. Diversas obras para desviar dinheiro. Muito legal. Enquanto isto a população irá continuar carente. Iremos sediar não só um, mas dois mega-eventos. E iremos mostrar a face mais bonita do Rio. De forma que os "gringos" vão olhar e achar que tudo aqui é perfeito, assim como tantos fazem ao ver as "Ouropa" de longe. Iremos enviar as milícias para algumas favelas. Em outras o governo irá pagar para que não haja revolta. É assim que funciona.
Ao mesmo tempo sei obviamente que estas obras, pelo menos parte delas, realmente serão feitas. Não há outra escolha. Precisamos no mínimo de mais 7 lugares para competições e lugares fixos. Estas obras gerarão emprego. Bem ou mal, a Copa do Mundo mais os Jogos Olímpicos geraram empregos mesmo que estes sejam provisórios e de baixa renda.
Assim como todos os projetos sociais envolvendo esporte serão valorizados. Não acho que iremos fazer como a China e criar em 7 anos adolescentes mega-esportistas, mas certamente os melhores de cada grupo passarão por um treinamento árduo a partir de agora. Como cidade-sede estamos inscritos em todas as competições ou ao menos 70%. Vamos criar atletas em áreas que não temos histórico nenhum. É a chance do Brasil ganhar mais medalhas. Quem sabe a tão esperada medalha de ouro no futebol? A falta dela já está se tornando irônica demais.
Nem lembro mais os outros pontos que queria discursar e sinceramente. Vou voltar para os meus livros aqui já que estou condenada a ficar em casa durante um tempo. See ya
Violino
Texto de setembro 2009
Estes dias eu estava tentando fazer meu top 20 de livros. E ao colocar Anne Rice, constatei que isto não é verdade. Meu primeiro contato com ela realmente veio por intermédio de Entrevista com o vampiro. Sim, eu fiquei encantada com o livro. Contudo admito que boa parte deste encantamento tem a ver com a história e não com a maneira que ela escreve. É difícil eu considerar que um autor escreve realmente bem. E Entrevista com o Vampiro ainda soava infantil. Ainda em 2006, resolvi dar uma chance para Chore para os céus. Já o considerei melhor. Não terminei o livro, pois o havia pego na biblioteca aqui da Ilha e tive de devolvê-lo e havia uma fila atrás dele. Não voltei lá para procurá-lo depois disto. E atrás de outro livro da Anne Rice, Violino chegou em minhas mãos. "Delírios fantasias, horrores e terríveis verdades". O livro logo me atraiu. E o jeito do Stephan piorou tudo.O fato é que até onde eu me lembro, violino foi o segundo livro que eu li que me fez chorar. O primeiro, Meu pé de laranja lima, e considerando a época que eu li Violino, não vejo tantos motivos para ter me tocado tanto. E entre suas 286 pág., uma passagem específica me abalou. Por motivos desconhecidos digo logo. E hoje a transcrevo aqui:
"E o pensamento era o seguinte:
Você não pode negar os erros. Não pode negar o sangue que está em suas mãos ou em sua consciência! Não pode negar que a vida está cheia de sangue, que a dor é sangue, que o erro é sangue.
Mas, há sangues e sangues.
Só um certo sangue vem das feridas que infligimos a nós mesmos e uns aos outros. Flui brilhante e acusador, ameaça levar consigo a própria vida o ferido este sangue... Como cintila, como se comemora este sangue sagrado, sangue que foi sangue de Nosso Senhor, que foi o sangue dos mártires, o sangue no rosto de Roz e o sangue em minhas mãos (o sangue dos erros)
Mas, há outro sangue.
Há o sangue que flui do útero de uma mulher. E que não ´sinal da morte, mas a marca de uma fonte grande e fértil. Um rio de sangue que pode eventualmente formar de sua substância seres humanos completos, é sangue vivo, sangue inocente..."
Minha passagem favorita do livro, apesar de que na época eu já possuia uma segunda favorita que hoje em dia é a primeira:
" A saudade é sóbria. A saudade não grita. A saudade só vem muito tempo depois do horror ante a visão do túmulo, do horror na cabeceira da cama. A saudade é sóbria e é impassível"
Tentada a fazer um post sobre cada um dos meus livros favoritos, mas impossível se resumir ao top 20
Estes dias eu estava tentando fazer meu top 20 de livros. E ao colocar Anne Rice, constatei que isto não é verdade. Meu primeiro contato com ela realmente veio por intermédio de Entrevista com o vampiro. Sim, eu fiquei encantada com o livro. Contudo admito que boa parte deste encantamento tem a ver com a história e não com a maneira que ela escreve. É difícil eu considerar que um autor escreve realmente bem. E Entrevista com o Vampiro ainda soava infantil. Ainda em 2006, resolvi dar uma chance para Chore para os céus. Já o considerei melhor. Não terminei o livro, pois o havia pego na biblioteca aqui da Ilha e tive de devolvê-lo e havia uma fila atrás dele. Não voltei lá para procurá-lo depois disto. E atrás de outro livro da Anne Rice, Violino chegou em minhas mãos. "Delírios fantasias, horrores e terríveis verdades". O livro logo me atraiu. E o jeito do Stephan piorou tudo.O fato é que até onde eu me lembro, violino foi o segundo livro que eu li que me fez chorar. O primeiro, Meu pé de laranja lima, e considerando a época que eu li Violino, não vejo tantos motivos para ter me tocado tanto. E entre suas 286 pág., uma passagem específica me abalou. Por motivos desconhecidos digo logo. E hoje a transcrevo aqui:
"E o pensamento era o seguinte:
Você não pode negar os erros. Não pode negar o sangue que está em suas mãos ou em sua consciência! Não pode negar que a vida está cheia de sangue, que a dor é sangue, que o erro é sangue.
Mas, há sangues e sangues.
Só um certo sangue vem das feridas que infligimos a nós mesmos e uns aos outros. Flui brilhante e acusador, ameaça levar consigo a própria vida o ferido este sangue... Como cintila, como se comemora este sangue sagrado, sangue que foi sangue de Nosso Senhor, que foi o sangue dos mártires, o sangue no rosto de Roz e o sangue em minhas mãos (o sangue dos erros)
Mas, há outro sangue.
Há o sangue que flui do útero de uma mulher. E que não ´sinal da morte, mas a marca de uma fonte grande e fértil. Um rio de sangue que pode eventualmente formar de sua substância seres humanos completos, é sangue vivo, sangue inocente..."
Minha passagem favorita do livro, apesar de que na época eu já possuia uma segunda favorita que hoje em dia é a primeira:
" A saudade é sóbria. A saudade não grita. A saudade só vem muito tempo depois do horror ante a visão do túmulo, do horror na cabeceira da cama. A saudade é sóbria e é impassível"
Tentada a fazer um post sobre cada um dos meus livros favoritos, mas impossível se resumir ao top 20
CEFET
Texto de 12/2009
Estou a segurar quaisquer eventuais lágrimas por hoje na tentativa de guardá-las para amanhã. Por mais que o dia de hoje esteja pedindo por elas. Clamando, para ser mais exato. Um dia marcado para ser nostalgico, apesar de não tanto quanto amanhã.
Dias fadados a serem nostálgicos. O CEFET foi e será, em minhas memórias ao menos, o local em que me senti mais a vontade. Onde eu encontrei pessoas com quem eu gostava de conversar sem me enfadar, onde eu não era a única a conhecer animes, mangás, rpgs em geral... Um local onde eu passaria até mais de 12 horas, fora o tempo em casa. Dedicação exclusiva que eu aceitei dar sem reclamar. E eu lembro de tantos detalhes, tantas conversas, algumas brigas, problemas sem dúvida, confusão mental, acordar cedo, trânsito... E apesar de tudo, me sentir feliz por estar indo ao colégio. Não irei mentir dizendo que isto foi verdade todos os dias, houve uns que cheguei lá arrastada, de mal humor e que simplesmente me isolei. Acontece. O CEFET continua sendo meu "lugar ao sol". As pessoas que ali me amiguei se tornaram especiais cada uma de uma forma, é clichê dizer, mas acho que todas elas de alguma forma me ensinaram algo. Mesmo que fosse como não fazer alguma coisa ^^Nos outros colégios em que estudei, eu tive de aprender a apreciar o local. Com o CEFET foi o contrário. Lembro ainda do dia da matrícula, eu passando pelo bosque. Aquele local é a minha primeira imagem do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca. Não era o recanto em que eu me encontrava boa parte do tempo. Entretanto, era o local que eu gostava de observar. Todas as nuances de cores, os sons, os gatinhos - que estão ficando mais educados ultimamente - Tudo tão aconchegante que eu poderia jurar que não estava mais no colégio.A sensação de pertencer, de estar em casa, vai passar, eu sei. Poucos anos se passarão e eu voltarei lá e não reconhecerei aquele lugar como um lar. Por ora, eu quero aproveitar estes últimos dias, últimos dos últimos. Tentando me lembrar de tudo e ainda assim segurando o choro.Contudo, é difícil ante a visão de coisas simples e ainda assim importantíssimas. Os armários rabiscados, as pixações aleatórias, recados em livros, apresentações de trabalhos e salas de aula. D326, 1MMED 2007, a melhor turma. Lembro da semana "perfeita" minha e da Alana, com a visita técnica no centro, comer na fonte da Veiga, desconfio, mau-mau, vendo Quebrando a Banca por 2 reais no cinema, vendo Ultimato Bourne com uma galera que não viu os outros 2 filmes (aliás, só eu vi a trilogia, mas ok) e brigadeiro. Brigadeiro de Lanuxa. A semana mais especial do primeiro ano , sem dúvida.Lembro bem do dia do trote. E é engraçado notar que os calouros daquele dia, meus companheiros de trote, foram meus verdadeiros companheiros de CEFET. Claro que a eles se somam algumas poucas pessoas. Mas, a Lana, Bia, Marlon e Tâmara, que estiveram presentes naquele início marcaram o primórdio. Somando-se a eles minha gêmula, Verton e Tóia, acho que temos o octeto de turismo. Um povo que fez minhas manhãs mais agradavéis. Amanda com seu jeito Adriana então...São pessoas que me fizeram rir, sentir raiva, pensar, me preocupar... Eu realmente não deveria citar nomes, mas estes foram os que eu mais me importei. São estas as pessoas que fizeram parte de toda a minha estadia no CEFET.E nesta reta final, só queria virar para um calouro e falar claramente para ele que estes serão os melhores 3 anos da vida deles. Que eles devem ser inconsequentes e se preocupar menos e aproveitar ao maxímo. E não passarem pelo CEFET como se estivessem em um colégio comum. Nunca um local pode fazer tanta diferença em minha vida. E eu sei que tomei a decisão correta em voltar um ano. Ali muito aprendi, muito aproveitei, tive de me moldar para notar que não deveria tê-lo feito. E nestes últimos meses, tomei o caminho certo. Só me arrependo de não haver mostrado mais quem eu era para todos, de aparentar ser tão feliz, e meu único consolo é que as pessoas que me importam mesmo, nunca se enganaram. Não totalmente... E como já disse, nos últimos meses, fui ainda mais feliz naquele colégio, por aos poucos conseguir dizer um pouquinho quem eu sou. Não totalmente, eu sei. Mas, mais do que já mostrei.Sentirei saudades. Por cada vão momento, cada aprendizado, cada loucura, cada almoço, cada trabalho bizarro e legal. Amo, amo muito este local. E agradeço por ter estado lá. Saudades...
Estou a segurar quaisquer eventuais lágrimas por hoje na tentativa de guardá-las para amanhã. Por mais que o dia de hoje esteja pedindo por elas. Clamando, para ser mais exato. Um dia marcado para ser nostalgico, apesar de não tanto quanto amanhã.
Dias fadados a serem nostálgicos. O CEFET foi e será, em minhas memórias ao menos, o local em que me senti mais a vontade. Onde eu encontrei pessoas com quem eu gostava de conversar sem me enfadar, onde eu não era a única a conhecer animes, mangás, rpgs em geral... Um local onde eu passaria até mais de 12 horas, fora o tempo em casa. Dedicação exclusiva que eu aceitei dar sem reclamar. E eu lembro de tantos detalhes, tantas conversas, algumas brigas, problemas sem dúvida, confusão mental, acordar cedo, trânsito... E apesar de tudo, me sentir feliz por estar indo ao colégio. Não irei mentir dizendo que isto foi verdade todos os dias, houve uns que cheguei lá arrastada, de mal humor e que simplesmente me isolei. Acontece. O CEFET continua sendo meu "lugar ao sol". As pessoas que ali me amiguei se tornaram especiais cada uma de uma forma, é clichê dizer, mas acho que todas elas de alguma forma me ensinaram algo. Mesmo que fosse como não fazer alguma coisa ^^Nos outros colégios em que estudei, eu tive de aprender a apreciar o local. Com o CEFET foi o contrário. Lembro ainda do dia da matrícula, eu passando pelo bosque. Aquele local é a minha primeira imagem do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca. Não era o recanto em que eu me encontrava boa parte do tempo. Entretanto, era o local que eu gostava de observar. Todas as nuances de cores, os sons, os gatinhos - que estão ficando mais educados ultimamente - Tudo tão aconchegante que eu poderia jurar que não estava mais no colégio.A sensação de pertencer, de estar em casa, vai passar, eu sei. Poucos anos se passarão e eu voltarei lá e não reconhecerei aquele lugar como um lar. Por ora, eu quero aproveitar estes últimos dias, últimos dos últimos. Tentando me lembrar de tudo e ainda assim segurando o choro.Contudo, é difícil ante a visão de coisas simples e ainda assim importantíssimas. Os armários rabiscados, as pixações aleatórias, recados em livros, apresentações de trabalhos e salas de aula. D326, 1MMED 2007, a melhor turma. Lembro da semana "perfeita" minha e da Alana, com a visita técnica no centro, comer na fonte da Veiga, desconfio, mau-mau, vendo Quebrando a Banca por 2 reais no cinema, vendo Ultimato Bourne com uma galera que não viu os outros 2 filmes (aliás, só eu vi a trilogia, mas ok) e brigadeiro. Brigadeiro de Lanuxa. A semana mais especial do primeiro ano , sem dúvida.Lembro bem do dia do trote. E é engraçado notar que os calouros daquele dia, meus companheiros de trote, foram meus verdadeiros companheiros de CEFET. Claro que a eles se somam algumas poucas pessoas. Mas, a Lana, Bia, Marlon e Tâmara, que estiveram presentes naquele início marcaram o primórdio. Somando-se a eles minha gêmula, Verton e Tóia, acho que temos o octeto de turismo. Um povo que fez minhas manhãs mais agradavéis. Amanda com seu jeito Adriana então...São pessoas que me fizeram rir, sentir raiva, pensar, me preocupar... Eu realmente não deveria citar nomes, mas estes foram os que eu mais me importei. São estas as pessoas que fizeram parte de toda a minha estadia no CEFET.E nesta reta final, só queria virar para um calouro e falar claramente para ele que estes serão os melhores 3 anos da vida deles. Que eles devem ser inconsequentes e se preocupar menos e aproveitar ao maxímo. E não passarem pelo CEFET como se estivessem em um colégio comum. Nunca um local pode fazer tanta diferença em minha vida. E eu sei que tomei a decisão correta em voltar um ano. Ali muito aprendi, muito aproveitei, tive de me moldar para notar que não deveria tê-lo feito. E nestes últimos meses, tomei o caminho certo. Só me arrependo de não haver mostrado mais quem eu era para todos, de aparentar ser tão feliz, e meu único consolo é que as pessoas que me importam mesmo, nunca se enganaram. Não totalmente... E como já disse, nos últimos meses, fui ainda mais feliz naquele colégio, por aos poucos conseguir dizer um pouquinho quem eu sou. Não totalmente, eu sei. Mas, mais do que já mostrei.Sentirei saudades. Por cada vão momento, cada aprendizado, cada loucura, cada almoço, cada trabalho bizarro e legal. Amo, amo muito este local. E agradeço por ter estado lá. Saudades...
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